“Gastos com acidentes de trabalho são equivalentes aos gastos com educação“
Quarta-feira, 02 de Maio de 2018, (08h29)
De acordo com dados do Observatório Digital de Saúde e Segurança no Trabalho, no Piauí foram registrados 16.748 pedidos de auxílio doença por afastamento do trabalho por conta de acidentes e doenças do trabalho, entre 2012 e 2017. O impacto previdenciário dos afastamentos do Piauí foi de R$ 178 milhões com a perda de 4.459.006 dias de trabalho. No mesmo período, foram registradas 117 mortes causadas por acidente de trabalho. O observatório (observatoriosst.mpt.mp.br) é organizado pelo Ministério Público do Trabalho junto com a OIT (Organização Internacional do Trabalho).
Nos quatro primeiros meses desse ano já foram registradas seis mortes no Piauí, por acidente de trabalho, contra 13 registradas no passado. O Piauí havia conseguido reduzir significativamente o número de mortes em 2016 e 2017 (12 e 13, respectivamente). Antes, eram registradas entre 20 e 30 mortes por ano.
O setor econômico com maior caso de registros de afastamento por acidente de trabalho em 2017 foi a construção civil com 1.638 casos. Em entrevista à TV Cidade Verde, realizada na última sexta-feira (27) o coordenador do Programa Trabalho Seguro no Piauí, desembargador Francisco Meton Marques de Lima, explicou que esses números são explicados tanto pela natureza da atividade, passando pela falta de ação de empregadores em fornecerem/exigirem os equipamentos de proteção individual e até mesmo a displicência de empregados, que acham que não precisam usar os equipamentos.
“O problema é muito sério porque o brasileiro padece de falta de educação no trânsito e no trabalho, não observa as regras, tanto o empregado como o empregador. É preciso uma campanha para isso e a informalidade é muito grande. Então os acidentes que acontecem na informalidade não são notificados e famílias vão para indigência ou para a assistência social que fatalmente custa caro para a sociedade e para os cofres públicos”, destacou Francisco Meton.
O desembargador também chamou a atenção para os trabalhadores que ficam incapacitados, vítimas de acidentes de trabalho, e que não aparecem nas estatísticas.
Ele falou sobre os custos que os acidentes de trabalho causam ao país. “Os gastos com acidente de trabalho concorrem com o que se gasta em educação, que comprova uma grande sangria aos cofres públicos e um prejuízo social e emocional muito grande para as famílias”, pontuou.
DIA MUNDIAL DA SEGURANÇA E DA SAÚDE DO TRABALHO
A Organização Internacional do Trabalho (OIT) instituiu o dia 28 de abril como o Dia Mundial da Segurança e da Saúde no Trabalho, em memória às vítimas de acidentes e doenças relacionadas ao trabalho. No Brasil, a Lei 11.121/2005 instituiu o mesmo dia como o Dia Nacional em Memória das Vítimas de Acidentes e Doenças do Trabalho.
A questão acidentária continua gerando muitas vítimas: por ano ainda ocorrem no Brasil mais de 700 mil acidentes do trabalho e a cada dia, considerando apenas os dados oficiais, aproximadamente 55 empregados deixam definitivamente o mundo do trabalho, por morte ou incapacidade permanente.
O mecanismo mais eficiente para a redução de acidentes é o investimento sistemático em medidas de segurança e saúde dos trabalhadores e na propagação de uma cultura prevencionista no ambiente de trabalho, com respaldo dos altos dirigentes do empreendimento.
O trabalho seguro e saudável, além de prevenir acidentes e doenças ocupacionais, estimula a produtividade, mantém o empregado motivado, reduz os custos trabalhistas e cria um círculo virtuoso em benefícios de todos.
PROGRAMA TRABALHO SEGURO
O Programa Trabalho Seguro – Programa Nacional de Prevenção de Acidentes de Trabalho foi criado em 2011 por iniciativa do Tribunal Superior do Trabalho e do Conselho Superior da Justiça do Trabalho (CSJT), em parceria com diversas instituições públicas e privadas, visando à formulação e execução de projetos e ações nacionais voltados à prevenção de acidentes de trabalho e ao fortalecimento da Política Nacional de Segurança e Saúde no Trabalho. O principal objetivo do programa é contribuir para a diminuição do número de acidentes de trabalho registrados no Brasil nos últimos anos, por meio da articulação entre instituições públicas federais, estaduais e municipais e a sociedade civil.
Fonte: http://www.trt22.jus.br/portal/noticias/gastos-com-acidentes-de-trabalho-sao-equivalentes-aos-gastos-com-educacao/
